Vamos começar com a conclusão: a onda de cancelamentos que atinge projetos de hidrogênio em larga escala não é uma catástrofe — é um sinal de progresso. O setor está amadurecendo rapidamente, abandonando propostas brilhantes e participantes relutantes em se adaptar, enquanto abre espaço para pioneiros silenciosos e eficazes.
A bolha do hype estourou — e isso é bom
Entre 2021 e 2023, a demanda por hidrogênio de baixo carbono permaneceu marginal — abaixo de um milhão de toneladas, em comparação com a demanda global total de hidrogênio de 97 milhões de toneladas, ainda predominantemente de origem fóssil. Ao mesmo tempo, o relatório "Hydrogen Insights 2024" observou um aumento de sete vezes na capacidade global de eletrólise, que ultrapassou a decisão final de investimento (FID), ao longo de quatro anos, embora ainda modesto, em torno de 20 GW.
Na Europa, 3 GW de capacidade de eletrolisadores passaram pelo FID, com previsão de fornecimento de cerca de 415.000 toneladas de hidrogênio renovável anualmente. Em contrapartida, projetos de hidrogênio azul tiveram mais de 1,4 milhão de toneladas por ano canceladas, com apenas cerca de 400.000 toneladas por ano sobrevivendo ao FID. A lição é clara: ideias superdimensionadas que não atendem aos princípios básicos de economia não sobrevivem.
Essa correção é saudável. Os projetos que estão por vir são menores, mais bem elaborados e diretamente vinculados às necessidades de descarbonização.
Hidrogênio Real: Projetos Focados e Práticos
Veja o projeto Yuri da Engie na Austrália Ocidental: a Fase 1 envolve um eletrolisador de 10 MW alimentado por 18 MW de energia solar e apoiado por uma bateria de 8 MW. Ele fornecerá cerca de 640 toneladas de hidrogênio renovável anualmente para a produção de amônia da Yara. Discreto, mas eficaz — a demanda é clara e a produção está em andamento.
Na Europa, a Engie também deu sinal verde para sua parte do gasoduto de hidrogênio mosaHYc entre a França e a Alemanha, enquanto o corredor H2Med/Barmar entre Barcelona e Marselha tem como meta até 2 milhões de toneladas por ano até 2030. O terminal de amônia para hidrogênio Lubmin da Alemanha tem como meta a aprovação final até o final de 2025, com custos estimados em torno de US$ 3–3,50/kg até 2027, bem abaixo dos níveis europeus atuais de US$ 8–10/kg.
Não se trata de megaprojetos em busca de manchetes. São soluções ancoradas industrialmente, que se encaixam em setores difíceis de reduzir, como amônia, metanol, refino e siderurgia.
Por que menor é mais inteligente
Megaprojetos fracassados frequentemente careciam de uma implementação clara, dependiam de tecnologias não comprovadas ou buscavam escala irreal. Em contraste, os sobreviventes de hoje estão inseridos na demanda industrial existente, com economia clara. O hidrogênio azul, por exemplo, pode ser produzido na Europa por € 3,8–4,4/kg — muito mais barato do que a maioria do hidrogênio verde.
Essa mudança significa menos projetos no geral, mas projetos mais fortes e sustentáveis, projetados para proporcionar uma descarbonização industrial real, em vez de exagero especulativo.
O apoio político torna-se mais direcionado
As estruturas políticas também estão amadurecendo. O Banco de Hidrogênio da UE está direcionando fundos para projetos com valor real de redução de emissões. O KfW da Alemanha está financiando terminais de importação em vez de forçar a produção doméstica, que é antieconômica. O dinheiro público está sendo canalizado para onde o hidrogênio é mais necessário.
Uma economia de hidrogênio menor e melhor
A economia do hidrogênio provavelmente será menor do que as previsões exageradas sugeriam. Mas isso é um ponto forte, não um ponto fraco.
Um setor mais enxuto, que substitua o hidrogênio de origem fóssil, reduza as emissões na indústria pesada e se baseie em uma engenharia sólida, é muito preferível a uma proliferação de gigaprojetos condenados ao fracasso. O que importa agora não são milhares de ideias, mas um punhado de ideias excelentes. Que as ruins morram. Que o barulho desapareça. O que resta é real.
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