Os preços do cobre continuam a subir, estendendo sua valorização enquanto os mercados de metais caminham para a quarta semana consecutiva de ganhos. Esse avanço reflete uma combinação de oferta global restrita, expectativas de demanda estável ligadas à transição para a eletrificação e renovado interesse dos investidores em metais básicos.
Apesar de alguns compradores terem recuado em níveis recordes, a tendência geral do mercado permanece positiva, mantendo o cobre em foco para comerciantes, fabricantes e investidores de longo prazo.
Essa movimentação ocorre em um momento em que o cobre não é mais visto apenas como um metal industrial tradicional, mas cada vez mais como um ativo estratégico ligado a veículos elétricos, energia renovável, modernização da rede elétrica e planos globais de infraestrutura. Com a alta dos preços, os participantes do mercado estão fazendo perguntas cruciais: por que o cobre está subindo agora, quem está comprando e para onde os preços podem ir a seguir?
A seguir, apresentamos uma análise clara e voltada para o investidor do panorama completo.
Preços do cobre hoje e desempenho semanal do mercado.
Os preços do cobre subiram nas últimas sessões, impulsionando os mercados de metais rumo à quarta semana consecutiva de ganhos. Nas bolsas globais, os contratos de referência do cobre avançaram, com os investidores reagindo a uma combinação de restrições de oferta e otimismo de longo prazo em relação à demanda.
Na Bolsa de Metais de Londres (LME), os preços do cobre permaneceram próximos das máximas dos últimos anos, impulsionados pelo forte interesse especulativo e pela redução dos estoques visíveis. Os mercados futuros indicam que os investidores estão aumentando suas posições na expectativa de novas altas, apesar da realização de lucros no curto prazo em níveis elevados.
Os comentários do mercado destacaram a força do setor de metais de forma mais ampla, relacionando o desempenho a fatores estruturais como a demanda relacionada à inteligência artificial, tecnologias limpas e o aumento da atividade industrial ligada à defesa em meio a maiores gastos militares globais.
Por que os preços do cobre estão subindo apesar dos níveis elevados?
Apesar da forte alta observada no último ano, a tendência de valorização do cobre permanece intacta. Embora isso possa parecer surpreendente, diversos fatores continuam a sustentar os preços.
Em primeiro lugar, a oferta global de cobre permanece limitada. Muitas das principais minas enfrentam declínio na qualidade do minério, aumento dos custos e crescentes desafios operacionais. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento de novos projetos leva anos, e o investimento ainda não acompanhou totalmente a demanda futura projetada.
Em segundo lugar, a demanda relacionada à transição energética continua a crescer de forma constante. O cobre é essencial para veículos elétricos, infraestrutura de recarga, painéis solares, turbinas eólicas e redes elétricas. Um veículo elétrico utiliza aproximadamente três a quatro vezes mais cobre do que um carro convencional com motor de combustão interna.
Em terceiro lugar, os investidores financeiros voltaram aos mercados de metais como proteção contra a inflação e os riscos na cadeia de suprimentos. Com a estabilização das expectativas de taxas de juros nas principais economias, o capital está novamente fluindo para as commodities.
O papel da China na valorização do cobre
A China continua sendo a maior consumidora mundial de cobre, respondendo por mais da metade da demanda global. Desenvolvimentos recentes mostram que alguns compradores industriais chineses reduziram temporariamente suas compras após os preços atingirem recordes históricos, um padrão comum nessas condições.
Quando os preços sobem rapidamente, os fabricantes frequentemente adiam as compras enquanto aguardam possíveis correções. Esse comportamento reflete um adiamento, e não o desaparecimento da demanda.
Fundamentalmente, a demanda global permanece forte o suficiente para sustentar os preços, mesmo com essa desaceleração temporária na China. Analistas também observam que os níveis de estoque na China não são excessivos e que qualquer melhora na atividade da construção civil ou industrial pode reavivar rapidamente o forte interesse de compra.
Esse equilíbrio entre compras cautelosas e oferta restrita ajuda a explicar por que os preços permaneceram resilientes em vez de sofrerem uma correção acentuada.
Perspectivas para o preço do cobre e análises de especialistas.
A médio e longo prazo, muitos bancos e instituições de pesquisa esperam que os preços do cobre permaneçam elevados. As previsões variam, mas diversas projeções confiáveis apontam para a negociação do cobre entre US$ 9.500 e US$ 11.000 por tonelada nos próximos anos.
Alguns cenários de longo prazo sugerem níveis ainda mais altos na segunda metade da década, caso a oferta continue a ficar aquém da demanda impulsionada pela eletrificação e expansão da infraestrutura digital.
Esse otimismo se baseia na visão de que a demanda por cobre não é mais puramente cíclica, mas cada vez mais estrutural. As redes elétricas precisam ser modernizadas, a capacidade de energia renovável está se expandindo, os veículos elétricos estão ganhando participação de mercado e todas essas tendências exigem grande quantidade de cobre.
Como resultado, o cobre passou a fazer parte de narrativas de investimento mais amplas em torno da inteligência artificial, à medida que os analistas relacionam a demanda por metais a centros de dados, automação e infraestrutura inteligente.
Tendências dos preços e estoques de cobre
Os baixos níveis de estoque continuam sendo um dos pilares mais fortes que sustentam os preços do cobre. Os estoques registrados nas principais bolsas ainda estão próximos de níveis historicamente baixos em relação ao consumo global.
Esses estoques reduzidos significam que até mesmo pequenas interrupções no fornecimento, sejam elas causadas por eventos climáticos, greves trabalhistas ou problemas logísticos, podem desencadear oscilações bruscas de preços.
Esse ambiente também incentiva os investidores financeiros a manterem posições compradas, reforçando o ímpeto de alta no mercado.
Como os traders estão interpretando os gráficos do cobre
Do ponto de vista técnico, os analistas apontam para a formação de fortes zonas de suporte próximas aos níveis de rompimento recentes, enquanto a resistência permanece concentrada perto das máximas históricas. Os indicadores de momentum sugerem que, embora períodos de consolidação ou arrefecimento sejam possíveis, a tendência geral permanece ascendente.
Como resultado, muitos investidores estão adotando estratégias disciplinadas de gestão de risco, ao mesmo tempo que continuam a aproveitar as oportunidades de valorização oferecidas pelo mercado de cobre.
Os preços do petróleo subiram na sexta-feira, impulsionados por preocupações com possíveis interrupções na produção iraniana, juntamente com a incerteza contínua em torno do fornecimento de petróleo da Venezuela.
Às 13h59 GMT, os contratos futuros do petróleo Brent subiram 50 centavos, ou 0,8%, para US$ 62,49 o barril, enquanto o petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA ganhou 51 centavos, ou 0,9%, para US$ 58,27 o barril.
Ambos os índices de referência registraram ganhos de mais de 3% na quinta-feira, após duas sessões consecutivas de perdas. Na comparação semanal, o Brent caminha para ganhos em torno de 3%, enquanto o WTI sobe cerca de 1,8%.
Oli Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank, afirmou que "os protestos no Irã parecem estar ganhando força, levando os mercados a se preocuparem com possíveis interrupções no fornecimento".
A instabilidade civil no Irã, um dos principais produtores de petróleo do Oriente Médio, combinada com a preocupação de que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia possa afetar as exportações russas de petróleo, aumentou a ansiedade em relação às condições de abastecimento global.
Ao mesmo tempo, a Casa Branca tem agendada uma reunião para sexta-feira com empresas petrolíferas e comerciais para discutir acordos de exportação de petróleo venezuelano.
O presidente dos EUA, Donald Trump, exigiu que a Venezuela conceda aos Estados Unidos acesso irrestrito ao seu setor petrolífero, poucos dias após a prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no sábado. Autoridades americanas confirmaram que Washington assumirá o controle das vendas e receitas de petróleo da Venezuela por tempo indeterminado.
A gigante petrolífera americana Chevron, juntamente com empresas comerciais globais como a Vitol e a Trafigura, entre outras, está competindo para fechar acordos com o governo dos EUA para comercializar até 50 milhões de barris de petróleo acumulados e armazenados pela estatal venezuelana PDVSA, sob um rigoroso bloqueio petrolífero que incluiu a apreensão de quatro navios-tanque, segundo duas fontes.
Tina Teng, analista de mercado da Moomoo ANZ, afirmou que "nos próximos dias, o mercado estará atento ao resultado dessas negociações para determinar como o petróleo venezuelano armazenado será vendido e entregue".
No Irã, o grupo de monitoramento da internet NetBlocks relatou uma interrupção nacional da internet na quinta-feira, enquanto os protestos continuavam na capital Teerã e em grandes cidades como Mashhad e Isfahan, em meio à crescente indignação com o agravamento das condições econômicas.
Em um desenvolvimento separado, os militares russos disseram na sexta-feira que lançaram um míssil hipersônico Oreshnik contra alvos dentro da Ucrânia, incluindo infraestrutura energética que abastece o complexo militar-industrial ucraniano, de acordo com um comunicado do Ministério da Defesa da Rússia.
Apesar desses desenvolvimentos, a Haitong Futures observou que os estoques globais de petróleo estão aumentando e que o excesso de oferta continua sendo o principal fator que provavelmente limitará os ganhos. A empresa acrescentou que, a menos que os riscos relacionados ao Irã se agravem ainda mais, a recuperação provavelmente permanecerá limitada e difícil de sustentar.
O Bitcoin se estabilizou durante as negociações asiáticas na sexta-feira, após interromper a recuperação do início do ano, com os mercados focados principalmente nos dados de emprego dos EUA, em busca de sinais mais claros sobre a trajetória futura das taxas de juros.
A cautela decorrente da crescente incerteza geopolítica global também afetou os preços das criptomoedas, com os investidores evitando, em grande parte, ativos de alto risco.
Às 00h34, horário do leste dos EUA (05h34 GMT), o Bitcoin subiu 0,2%, atingindo US$ 90.946,4.
Bitcoin caminha para uma semana tranquila em meio a riscos geopolíticos.
O Bitcoin está a caminho de registrar ganhos semanais modestos de cerca de 0,4%, após perder o ímpeto de recuperação observado no início do ano, uma vez que os crescentes riscos geopolíticos reduziram o apetite dos investidores por criptomoedas.
A maior criptomoeda do mundo apresentou uma negociação lateral esta semana, após não conseguir recuperar o patamar de US$ 95.000.
O aumento dos riscos geopolíticos globais foi um fator chave para o desempenho fraco do Bitcoin, liderado pela incerteza em torno dos planos dos EUA para a Venezuela após a operação militar de Washington que resultou na prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro no fim de semana.
O presidente dos EUA, Donald Trump, indicou que Washington assumiria o controle da produção de petróleo venezuelana nos próximos anos, embora o mecanismo para isso ainda não esteja claro.
Na Ásia, as tensões geopolíticas também pressionaram os mercados, com o aumento das fricções diplomáticas entre a China e o Japão esta semana, após Pequim anunciar certas restrições econômicas a Tóquio. Os dois países permanecem em desacordo sobre as declarações feitas pela primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, no final de 2025, a respeito de uma possível intervenção militar em Taiwan.
ETFs de Bitcoin à vista registram três dias consecutivos de saídas de capital.
A crescente cautela do mercado levou os ETFs (fundos negociados em bolsa) de Bitcoin listados nos EUA a registrarem três dias consecutivos de fortes saídas de capital nesta semana.
Dados da plataforma de análise de criptomoedas SoSoValue mostraram que investidores institucionais retiraram mais de US$ 1 bilhão desses fundos no total durante o trimestre encerrado em 8 de janeiro.
Essa tendência marca uma forte reversão em relação aos fluxos de entrada observados no início do ano, juntamente com a queda nos preços do Bitcoin.
Preços das criptomoedas hoje: altcoins oscilam antes da divulgação do relatório de empregos
Os preços das criptomoedas em geral permaneceram dentro de uma faixa estreita na sexta-feira, com os mercados cautelosos antes da divulgação do relatório de empregos não agrícolas dos EUA.
Os dados de emprego não agrícola de dezembro serão divulgados ainda hoje, e espera-se que o relatório forneça sinais importantes sobre as condições do mercado de trabalho e tenha um impacto direto nas expectativas de longo prazo para as taxas de juros nos EUA.
O Ethereum, a segunda maior criptomoeda do mundo, subiu 0,4%, para US$ 3.119,32, enquanto o XRP teve alta de 1,2%, para US$ 2,1338.
Entre outras altcoins importantes, alguns tokens demonstraram força relativa esta semana, com o XRP entre os de melhor desempenho, registrando ganhos de cerca de 5% devido a indícios de potencial restrição de oferta nas principais plataformas de negociação.
Solana se destacou na sexta-feira, subindo 5% e caminhando para ganhos semanais de quase 5%. Cardano subiu 1,1% e deve registrar ganhos semanais em torno de 1,6%.
Entretanto, as ações da BNB subiram 2% na sexta-feira, elevando seus ganhos semanais para 2,2%.
O dólar subiu ligeiramente na sexta-feira, enquanto os mercados aguardavam a divulgação do relatório de empregos dos EUA e se preparavam para uma decisão muito aguardada da Suprema Corte dos EUA sobre se o presidente Donald Trump pode usar poderes de emergência para impor tarifas.
Espera-se que o relatório de empregos não agrícolas de dezembro elimine grande parte da distorção de dados causada pela paralisação do governo no ano passado, embora os analistas alertem que os números principais, por si só, podem não ser suficientes para esclarecer a trajetória futura das taxas de juros.
Kathleen Brooks, diretora de pesquisa da XTB, afirmou que, após uma forte desvalorização do dólar no último ano, a moeda ainda parece sobrevendida, o que significa que qualquer surpresa positiva nos dados de emprego de hoje pode desencadear uma forte reação do dólar.
O índice do dólar, que acompanha o desempenho da moeda americana em relação a uma cesta de seis outras moedas principais, caiu 9,4% em 2025, registrando seu maior declínio anual desde 2017. O índice subiu 0,17%, para 99,04, após atingir seu nível mais alto em um mês no início da sessão.
Os dados divulgados na quinta-feira mostraram um ligeiro aumento nos pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA.
Em outra frente, espera-se que a Suprema Corte dos EUA emita uma decisão ainda hoje sobre se Trump tem autoridade para usar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para impor tarifas sem a aprovação do Congresso. Tal decisão poderia perturbar significativamente a política comercial dos EUA e desestabilizar meses de negociações com parceiros comerciais.
Caso a decisão seja desfavorável a Trump, executivos de empresas, despachantes aduaneiros e advogados especializados em comércio internacional estão se preparando para possíveis ações judiciais para recuperar quase US$ 150 bilhões dos Estados Unidos.
Francesco Pesole, estrategista de câmbio do ING, afirmou que os mercados estão cada vez mais precificando um relatório de empregos forte o suficiente para manter a taxa de juros inalterada pelo Federal Reserve por mais tempo, juntamente com a expectativa de que a Suprema Corte se posicione contra as tarifas de Trump, acrescentando que ambos os fatores podem oferecer apenas um suporte limitado ao dólar.
Os contratos futuros de taxas de juros indicam uma probabilidade de 86% de que o Federal Reserve mantenha as taxas inalteradas em sua reunião de 27 e 28 de janeiro, um aumento em relação aos 68% de um mês atrás, de acordo com a ferramenta FedWatch da CME.
O euro caiu 0,13%, para US$ 1,1643, após dados mostrarem uma queda inesperada nas exportações alemãs em novembro, impulsionada por remessas mais fracas para outros países da UE e para os Estados Unidos, enquanto a produção industrial subiu, contrariando as expectativas de queda.
Em relação ao iene japonês, o dólar ampliou seus ganhos pela quarta sessão consecutiva, atingindo seu nível mais alto desde 22 de dezembro e subindo 0,45%, para 157,57 ienes. Isso ocorreu após a divulgação de dados que mostraram um crescimento inesperado nos gastos das famílias japonesas em novembro em comparação com o ano anterior, sinalizando um consumo mais forte antes do aumento da taxa básica de juros pelo Banco do Japão em dezembro, que a levará ao maior patamar em 30 anos.
O governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda, afirmou que o banco central continuará aumentando as taxas de juros se as condições econômicas e a evolução dos preços estiverem de acordo com suas perspectivas.
O dólar apresentou pouca variação em relação ao yuan chinês negociado fora da China, cotado a 6,9798, após a divulgação de dados que mostraram que a inflação anual ao consumidor na China acelerou em dezembro para o ritmo mais rápido em quase três anos.
No entanto, a inflação anual desacelerou para o nível mais baixo em 16 anos, enquanto os preços ao produtor permaneceram em deflação, reforçando as expectativas de novas medidas de estímulo para apoiar a fraca demanda.
Em outros mercados, a libra esterlina caiu para US$ 1,3412, enquanto os dólares australiano e neozelandês sofreram pressão. O dólar australiano recuou 0,25%, para US$ 0,6682, enquanto o dólar neozelandês caiu 0,48%, para US$ 0,5726, marcando a quarta sessão consecutiva de perdas e seu nível mais baixo desde o início de dezembro.
Nos mercados de ativos digitais, o bitcoin caiu 1%, para US$ 90.308,05, enquanto o ether recuou 1,1%, para US$ 3.081,79.