Os preços do petróleo subiram durante as negociações de quinta-feira, recuperando as perdas da sessão anterior, enquanto os investidores permaneciam preocupados com um conflito prolongado no Oriente Médio e com as contínuas interrupções no fornecimento através do Estreito de Ormuz.
O ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou que o país está analisando uma proposta dos EUA para encerrar a guerra, mas não pretende se envolver em negociações diretas, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, respondeu com uma forte escalada na retórica, instando Teerã a levar a sério a busca por um acordo e alertando que poderia decidir, a qualquer momento, abandonar as negociações.
O presidente dos EUA, Donald Trump, também anunciou na quinta-feira que estenderia a pausa nos ataques contra instalações petrolíferas iranianas por mais 10 dias, até 6 de abril, a pedido do governo iraniano.
No pregão, os contratos futuros do petróleo Brent para entrega em maio subiram 5,7%, ou US$ 5,79, fechando a US$ 108,01 por barril.
Os contratos futuros de petróleo bruto Nymex dos EUA para entrega em maio também subiram 4,61%, ou US$ 4,16, fechando a US$ 94,48 por barril.
A guerra no Oriente Médio causou graves interrupções nas cadeias globais de suprimento de petróleo e gás, com danos e paralisações afetando instalações essenciais, como usinas de gás natural liquefeito, refinarias e locais de armazenamento de combustível. Isso elevou os custos estimados de reparo para cerca de US$ 25 bilhões até o momento, segundo a Rystad Energy, com expectativas de novos aumentos.
As estimativas sugerem que a maior parte desses custos será destinada a obras de engenharia e construção, seguida por gastos com equipamentos e materiais.
O Catar sofreu o impacto mais severo dos danos.
A cidade industrial de Ras Laffan foi a mais afetada, com a destruição das unidades de GNL S4 e S6, o que levou à declaração de força maior e à redução da capacidade de produção em 17%, o equivalente a 12,8 milhões de toneladas por ano.
Apesar da escala do investimento necessário, a recuperação total poderá levar até cinco anos devido à disponibilidade limitada de grandes turbinas a gás necessárias para as operações, que são produzidas por apenas três empresas globais e já enfrentam atrasos de vários anos impulsionados pela demanda de centros de dados e pela transição energética.
Restrições estruturais dificultam a recuperação
A recuperação do setor energético do Golfo não deverá depender apenas do financiamento, mas também de restrições estruturais, uma vez que algumas instalações podem ser reparadas em poucos meses, enquanto outras podem permanecer inativas durante anos.
Dois casos se destacam como particularmente preocupantes:
Campo de South Pars no Irã
Instalações de Ras Laffan no Catar
No Irã, as sanções complicam ainda mais a situação, forçando a dependência de empresas nacionais e chinesas, o que pode atrasar os esforços de reparo e aumentar os custos.
Bahrein e o impacto do momento oportuno
No Bahrein, a refinaria de Sitra, operada pela Bapco, sofreu danos significativos após ser alvo de dois ataques, afetando unidades de destilação e tanques de armazenamento.
O problema é agravado pelo momento do ataque, que ocorreu logo após a conclusão de um projeto de modernização de US$ 7 bilhões, interrompendo a capacidade recém-adicionada e atrasando os retornos esperados.
Níveis variáveis de danos em toda a região.
Outros países, incluindo os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait, o Iraque e a Arábia Saudita, sofreram interrupções menos severas, mas a velocidade da recuperação depende muito da capacidade local de engenharia e contratação.
A Saudi Aramco oferece um exemplo notável, tendo retomado rapidamente as operações nas instalações de Ras Tanura graças a equipes de manutenção pré-estabelecidas.
Prioridades para a próxima fase
Espera-se que, na próxima fase, as empresas se concentrem em:
Reiniciar campos existentes em vez de desenvolver novos projetos.
Acelerar os trabalhos de inspeção, engenharia e comissionamento.
Aumento da demanda por empreiteiros e fornecedores de equipamentos.
Em meio às sanções em vigor, empresas locais e asiáticas provavelmente garantirão a maior parte dos trabalhos de reconstrução no Irã.
O ritmo da recuperação continua dependendo da capacidade de execução e da disponibilidade de equipamentos, bem como dos desdobramentos da própria guerra, o que pode atrasar o retorno aos níveis de produção pré-conflito por um período prolongado.
Os principais índices de Wall Street caíram na quinta-feira, após ganhos na sessão anterior, com os investidores mantendo-se cautelosos em meio a sinais contraditórios dos Estados Unidos e do Irã sobre as perspectivas de redução das tensões no Oriente Médio.
O índice Dow Jones Industrial Average caiu cerca de 202 pontos, ou 0,45%, enquanto o S&P 500 recuou 0,77% e o Nasdaq teve queda de 1,05%.
Um alto funcionário iraniano afirmou que a proposta dos EUA para encerrar a guerra, que já dura quase quatro semanas, é "unilateral e injusta", ressaltando que o caminho diplomático não está encerrado, apesar da ausência de um plano realista para negociações de paz.
Analistas afirmaram que a incerteza continua sendo o principal fator da volatilidade do mercado, já que ainda não está claro se negociações reais estão ocorrendo entre Washington e Teerã, o que leva os mercados a oscilarem repetidamente. Apesar disso, os mercados permanecem relativamente resilientes devido ao receio dos investidores de perderem os ganhos potenciais caso a guerra chegue ao fim.
Ações de tecnologia pressionam o mercado.
As ações de tecnologia sofreram forte pressão, com o setor caindo cerca de 1,2%, enquanto o Índice de Semicondutores da Filadélfia recuou cerca de 2,7% após três sessões de ganhos.
As ações da Meta e do Google também caíram após uma decisão judicial relacionada a casos de vício em redes sociais, afetando o setor de serviços de comunicação.
Energia sobe com a valorização do petróleo.
Em contrapartida, os preços do petróleo subiram mais de 4%, impulsionando o setor de energia a se tornar o setor com melhor desempenho dentro do índice S&P 500.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alertou que a escalada do conflito e o fechamento do Estreito de Ormuz podem levar a um aumento acentuado da inflação e afetar negativamente o crescimento global.
O Federal Reserve está sob pressão.
Esses acontecimentos colocaram os bancos centrais, liderados pelo Federal Reserve dos EUA, em uma posição difícil em relação às taxas de juros, já que os mercados não esperam mais nenhum corte nas taxas este ano, depois de terem previsto dois cortes antes da guerra.
Os dados econômicos mostraram um ligeiro aumento nos pedidos de auxílio-desemprego, indicando uma força contínua no mercado de trabalho, o que dá ao Federal Reserve espaço para manter sua atual política monetária enquanto monitora os desdobramentos da crise.
Movimentos notáveis das ações
As ações da Olaplex dispararam 51% depois que a Henkel concordou em adquirir a empresa por US$ 1,4 bilhão.
As ações de mineradoras de ouro caíram devido à queda de mais de 1% no preço do ouro.
De modo geral, o número de ações em queda superou o de ações em alta tanto na Bolsa de Valores de Nova York quanto na Nasdaq, refletindo o sentimento de cautela que domina os investidores em meio à incerteza geopolítica contínua.
Os preços do níquel dispararam durante as negociações de quinta-feira, depois que a Indonésia, maior produtora mundial do metal, aprovou a imposição de impostos sobre as exportações do material usado em baterias.
Na quarta-feira, os contratos futuros de níquel subiram até 2,7% na Bolsa de Metais de Londres, depois que a ministra das Finanças, Sri Mulyani Indrawati, anunciou que o presidente Prabowo Subianto havia aprovado a imposição de taxas de exportação sobre carvão e níquel.
O ministro observou que as discussões sobre as taxas de impostos exatas ainda estão em andamento.
Nos Estados Unidos, na quinta-feira, os contratos futuros de níquel à vista subiram 2,2%, para US$ 17.190 por tonelada, às 15h21 GMT.